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Pesquisador emérito do CBPF lança a questão sobre em que idade a vida realmente começa

Publicado: Terça, 23 de Julho de 2019, 17h14 | Última atualização em Terça, 23 de Julho de 2019, 17h29 | Acessos: 863

Alberto Passos Guimarães, pesquisador emérito do Centro Brasileiro de Pesquisas Física (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), a convite do Núcleo de Comunicação Social, lança a questão sobre se há (ou não) uma idade em que a vida verdadeiramente começa.

 

A vida começa aos...

Li recentemente a crônica ‘A vida começa aos 80’, do cineasta Cacá Diegues (O Globo, 08/07/2019). O título chamou minha atenção e me fez pensar ‒ especialmente agora que estou a apenas um mês de completar exatamente essa idade.

Tenho admiração por Cacá Diegues, sua contribuição não só como cineasta, mas também como defensor dos valores do cinema e da cultura, bem como por seus escritos. Por acaso, tivemos certo convívio em nossa infância, pois nossos pais eram amigos ‒ ambos estudiosos, migrantes de Alagoas e residentes no Rio de Janeiro. Também encontrei Cacá algumas vezes na época em que fazíamos parte do movimento de cineclubes.

Nesse artigo, ele trata da trajetória de dois grandes cineastas, o japonês Akira Kurosawa (1910-1998) e o sueco Ingmar Bergman (1918-2007). Ele cita uma carta do primeiro para o segundo na qual Kurosawa menciona um pintor japonês, Tomioka Tessai (1836-1924), que começou a pintar seus melhores quadros aos 80 anos!

Então com 77 anos, Kurosawa conclui que o ser humano só consegue criar obras extraordinárias ao chegar aos 80 e que ‒ agora, falando de si próprio ‒ seu verdadeiro trabalho estaria apenas começando. Nas artes, existem muitos exemplos de grandes nomes que descobriram tardiamente sua capacidade de criar.

A ideia de que a verdadeira vida começa realmente quando se atinge determinada idade está presente em vários livros, estudos, filmes ou canções. Naturalmente, esse limiar de paz e felicidade vai sendo empurrado para idades mais e mais avançadas, à medida que a expectativa de vida das pessoas vem aumentando continuamente ‒ especialmente, a partir do século passado.

Em inglês, é comum encontrarmos o dito “A vida começa aos 40”, ideia que foi reforçada ‒ ou estimulada ‒ pela publicação, em 1932, de A vida começa aos quarenta, do psicólogo norte-americano Walter Pitkin (1878-1953). Algo semelhante está na letra de uma canção do ex-Beatle John Lennon (1940-1980): “Dizem que a vida começa aos quarenta/Idade é apenas um estado de espírito/Se isto é verdade/Estou morto há trinta e nove anos” ‒ ou seja, Lennon entendeu o dito de forma absolutamente literal.

Tal afirmação tem base empírica: estudo publicado, em 2010, no respeitável periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences, por Arthur Stone e colegas, com base em entrevistas com mais de 340 mil pessoas, concluiu que o sentimento de bem-estar cresce continuamente quando passamos da meia idade.

As explicações comumente dadas para essa constatação incluem a entrada em uma fase da vida na qual: i) o(a)s filho(a)s já estão mais crescido(a)s; ii) atingiu-se estabilidade na profissão; iii) tem-se um conjunto de amigos acumulados ao longo da vida; iv) pode-se dizer livremente do que se gosta ou não; v) o nível de estresse está reduzido etc.

Mas, afinal, juntando as manifestações mencionadas acima, podemos dizer que a vida ‘começa’ quando? A resposta não deve ser buscada em nenhuma das pesquisas empíricas, como a citada aqui.

Voltando à carta de Kurosawa. Devemos considerar seu relato não como um reforço empírico para concluirmos que o limiar no qual ‘a vida começa’ corresponde aos 80 anos, mas, sim, como um chamado para que todos tenham uma atitude positiva. Mais: para vermos ‘A vida começa aos...’ como um desafio para que todos possam viver uma vida plena.

Complete ‘A vida começa aos...’ com sua própria idade e veja quais desafios você pode enfrentar; qual atividade criativa você poderia realizar (parte ou não de sua atividade profissional); em que boas causas poderia militar; quais os livros que você pensa há anos que gostaria de ler, mas não leu; quais cursos (línguas, filosofia etc.) gostaria de fazer; quais cidades, ao alcance de seus recursos, sonha em visitar; que telefonema vem adiando para aquele amigo(a) que você não vê há anos...

Façam isso! O artigo do Cacá Diegues me estimulou a seguir esse caminho!  

 

Alberto Passos Guimarães

Pesquisador emérito

CBPF

 

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